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‘Exemplo aos que não têm vergonha de expressar violência’, diz presidente do GGB após Papa defender união civil entre homossexuais

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Em um documentário lançado na Itália, o Papa falou que homossexuais precisam ser protegidos por leis de união civil.

A declaração do Papa Francisco sobre a união civil entre homossexuais é “um exemplo aos que não têm vergonha de expressar violência” para o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira.

Em documentário chamado “Francesco”, lançado na Itália, o Papa afirma que os homossexuais precisam ser protegidos por leis de união civil.

Marcelo Cerqueira conversou com o G1 na tarde desta quarta-feira (21) e repercutiu as declarações favoráveis do Papa Francisco.

“Essa declaração do Papa é uma luz de oportunidade para todo o povo católico, para que sirva de exemplo a outras religiões que são muito mais intolerantes e não têm vergonha de expressar sua violência”, disse Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.

A fala do papa surge na metade do filme. Ele discorre sobre temas com os quais se importa, como o ambiente, pobreza, migração, desigualdade racial e de renda e pessoas mais afetadas por discriminação. Essa foi a forma mais clara que Francisco já usou para falar de direitos dos LGBTIs.

“As pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deverá ser descartado ou ser infeliz por isso. O que precisamos criar é uma lei de união civil. Dessa forma eles são legalmente contemplados. Eu defendi isso”, diz o Papa no filme.

Para Marcelo Cerqueira, a fala do Papa Francisco ressai como uma luz para a população LGBTQIA+, principalmente para os católicos.

“Eu sou católico, sigo o Papa Francisco e essa declaração que ele deu está em conformidade com os novos tempos da Igreja Católica que estão sendo representados por ele. Então, eu tenho muita fé que esse apoio do Papa vai repercutir no mundo todo e que, sobretudo, abram diálogos de mais compreensão e de aceitação à diversidade LGBTQIA+”, avaliou Marcelo.

União civil, e não casamento

Papa Francisco acena para o público durante a audiência de 21 de outubro de 2020 — Foto: Gregorio Borgia/AP

Papa Francisco acena para o público durante a audiência de 21 de outubro de 2020 — Foto: Gregorio Borgia/AP

O Papa Francisco já demonstrou ter interesse em dialogar com católicos LGBTIs, mas geralmente suas mensagens são a respeito de acolher esses fiéis.

Ele já deu sinais velados que poderiam ser interpretados como uma opinião favorável à união civil, como na época que Cristina Kirchner era a presidente da Argentina e o país legalizou o casamento gay. Ele ainda não era o papa, mas, sim, o cardeal Jorge Mario Bergoglio.

Em 2014, o Papa Francisco deu entrevista ao jornal “Corriere della Sera” na qual disse que a Igreja ensina que casamento é entre um homem e uma mulher. Segundo a agência RNS, ele disse que entende que governos queiram adotar a união civil para casais gays por razões econômicas.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Segundo o “Corriere della Sera”, o papa disse que “é preciso considerar casos diferentes e avaliar cada caso em particular”.

O Vaticano então clarificou que Francisco falava de forma genérica e que as pessoas não deveriam interpretar as palavras do papa além do que elas dizem, segundo a RNS.

A fala do papa surge na metade do filme. Ele discorre sobre temas com os quais se importa, como o ambiente, pobreza, migração, desigualdade racial e de renda e pessoas mais afetadas por discriminação.

O filme foi exibido no Festival de Roma nesta quarta-feira. No domingo (25), ele deverá passar nos EUA pela primeira vez durante o Savannah Film Festival.

O diretor Evgeny Afineevsky acabou as gravações em junho de 2020. O filme fala de temas como a pandemia, racismo e abuso sexual. Há temas geopolíticos também, como a guerra na Síria e na Ucrânia.

Segundo o jornal argentino “La Nación”, o filme mostra um italiano gay que vive em Roma. Ele tem três filhos, e relata que uma vez escreveu ao papa e pediu para enviar suas crianças à paróquia, mas que tinha receio de que as crianças fossem discriminadas.

O homem afirma que o Papa Francisco o incentivou a mandar os filhos à Igreja e nunca disse qual era a opinião dele sobre a família formada por pais gays e que, apesar de a doutrina não ter se alterado, a maneira de lidar com o tema mudou radicalmente.

Fonte:g1.globo.com

Foto: Reprodução/Facebook