Advogado de suspeito de matar médico na Bahia diz que tiro foi acidental e não houve ‘premonição’

Advogado de suspeito de matar médico na Bahia diz que tiro foi acidental e não houve ‘premonição’

Compartilhe

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Geraldo Freitas foi responsável por registrar desaparecimento de Andrade Lopes Santana. Pouco depois, ele foi preso como principal suspeito de cometer o crime.

A defesa do homem que foi preso por matar o médico acreano Andrade Lopes Santana, de 32 anos, disse que o crime não foi provocado por nenhum tipo de premonição. O advogado Guga Leal afirmou ao G1 que o cliente, que também é médico, não tinha a intenção de matar, mas a polícia acredita que houve premeditação.

Andrade Lopes foi achado morto no dia 28 de maio, no rio Jacuípe, em São Gonçalo dos Campos, a cerca de 120 quilômetros de Salvador. Ele havia desaparecido no dia 24 de maio, quando saiu de Araci, onde morava e trabalhava, com destino a Feira de Santana, que fica a 23 quilômetros de São Gonçalo dos Campos.

Em depoimento à polícia, o autor do crime, Geraldo Freitas Junior, teria contado que uma guia espiritual avisou que ele seria assassinado por dois colegas de profissão. O advogado Guga Leal revelou que a suposta guia em questão é a mãe do suspeito.

Guga Leal confirma que a mulher teve um sonho meses antes do ocorrido e comentou com o filho, como um alerta, mas garantiu que isso não tem a ver com a morte de Andrade.

“O crime não tem nenhuma relação com isso. Tanto que ele só lembrou desse detalhe quando já estava em poder da polícia”, afirma.

O médico Andrade Lopes Santana — Foto: Reprodução/TV Subaé

O médico Andrade Lopes Santana — Foto: Reprodução/TV Subaé

O advogado disse que Andrade teria trocado mensagens de texto com um desafeto de Geraldo, o que levou o cliente a desconfiar e se envolver em uma discussão com a vítima. “Ele pegou o celular de Andrade para guardar, já que iam entrar no rio. Quando pegou, viu a conversa dele com esse inimigo e perguntou se eles estavam armando algo. Foi aí que começou o desentendimento”, pontua.

Guga Leal confirma que Geraldo e Andrade tinham uma relação de amizade e que o conteúdo foi visto no celular por acaso. “Ele não tinha nenhuma desconfiança em relação ao amigo, olhou o aparelho por curiosidade e se deparou com as mensagens”.

Já na moto aquática, no curso do rio, Geraldo continuou pressionando Andrade e, diante da negativa em entregar o celular, apontou a arma para a cabeça dele. Segundo Guga Leal, ele teria tirado a mão da moto, que automaticamente parou na água e, no susto, teria atirado contra a vítima de modo não intencional.

“Ele não queria matar o amigo, mas a arma disparou. Foi um tiro acidental”.

O suposto desafeto de Geraldo, com quem Andrade teria trocado mensagens, também é um médico, que já foi identificado e deve ser ouvido pelos investigadores. O celular de Andrade foi encaminhado para perícia.

O delegado Roberto Leal informou que seis pessoas foram ouvidas a respeito desse caso. A polícia apura se há outros envolvidos e ainda tem outras oitivas pendentes. Além disso, são esperados os resultados de laudos periciais para a conclusão do inquérito. “Ainda faltam algumas peças para montar esse quebra-cabeça”, disse o coordenador de polícia Roberto Leal, que investiga o crime.

“A polícia continua com a versão da premeditação, principalmente pelos fatos que foram angariados. A compra da âncora, a ligação anterior, a solicitação para que fosse desmarcado o encontro que a vítima teria com uma amiga. Então, tudo isso nos indica ali uma premeditação. A defesa vai apresentar a linha de atuação dela, mas a Polícia Civil continua com a linha de premeditação”, afirma Roberto Leal.

Para o delegado, Geraldo levou Andrade para o meio do rio de propósito, para cometer o crime. Entre os fatores apontados para comprovar a linha investigativa estão o fato de o suspeito estar armado e ter levado uma âncora para o local do passeio, no rio Jacuípe.

Fonte:g1.globo.com /ba

Foto: Aldo Matos / Acorda Cidade