Feira de Santana Tempo
FEIRA DE SANTANA Tempo

Sergio Moro se filia ao Podemos, critica Bolsonaro e Lula e abre caminho para ser candidato à Presidência: ‘Não fugirei dessa luta’

Sergio Moro se filia ao Podemos, critica Bolsonaro e Lula e abre caminho para ser candidato à Presidência: ‘Não fugirei dessa luta’

Compartilhe

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Evento ocorre no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília

O ex-ministro Sergio Moro, que esteve à frente como juiz na operação Lava-Jato, se filiou nesta quarta-feira ao Podemos. O evento, que aconteceu no Centro de Convenção Ulysses Guimarães, em Brasília, abre caminho para sua pré-candidatura a presidente. Com rejeição de bolsonaristas e lulistas, Moro é uma das apostas de centro-direita como uma opção de terceira via na disputa hoje polarizada entre  o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT). Em discurso, Moro admitiu que pode vir a disputar a presidência.

Se para tanto, for necessário assumir a liderança nesse projeto, meu nome sempre estará à disposição do povo brasileiro. Não fugirei dessa luta, embora saiba que será difícil. Há outros bons nomes que têm se apresentado para que o País possa escapar dos extremos da mentira, da corrupção e do retrocesso — disse Moro, que também afirmou: — Precisamos nos unir em torno de um projeto que tenha as seguintes linhas: combater a corrupção; reduzir a pobreza; reduzir a inflação; gerar empregos; proteger a família e respeitar o próximo, o diferente.

No discurso de filiação, Moro fez críticas tanto a gestão petista no governo federal como a de Bolsonaro. O ex-juiz citou casos de corrupção durante os mandatos dos ex-presidentes Lula e Dilma, como mensalão e desvios na Petrobras. Sobre Bolsonaro, disse que deixou o governo por não ter recebido apoio no combate à corrupção.

Moro subiu ao palco  às 10h40. Antes, foi exibido um vídeo em que o ex-juiz aparece caminhando diante do Palácio do Planalto. O ingresso dele no partido contraria declarações de Moro, que diversas vezes disse que não entraria na política.

O ex-ministro iniciou seu discurso citando as críticas que recebe por sua voz. Ele justificou que “não é político” e que “não está acostumado a discursos”.

— O Brasil não precisa de líderes que tenham voz bonita. O Brasil precisa de líderes que ouçam e atendam a voz do povo brasileiro – disse Moro, que passou por uma acompanhamento com um fonoaudiólogo para melhorar sua dicção.

O ex-juiz fez a defesa de sua atuação na operação Lava-Jato e, sem citar o presidente Jair Bolsonaro, falou de sua atuação no governo.

— Eu sempre fui considerado um juiz firme e fiz justiça na forma da Lei. Na época, todos diziam que era impossível fazer isso, mas nós fizemos. Claro, com grande apoio da população brasileira. Juntos, eu, você, nós, mostramos que a Lei se aplica a todos.  Em 2018, recebi um convite do presidente eleito para ser ministro da Justiça. Como todo bom brasileiro, eu tinha, em 2018, esperança por dias melhores. Como todo brasileiro, eu pensava no que havíamos presenciado nos últimos anos: os grandes casos de corrupção sendo revelados dia após dia, os pixulecos, as contas na Suíça e milhões de reais ou dólares roubados — disse.

O ex-ministro justificou que tinha o “dever de ajudar”:

— Era um momento que exigia mudança. Eu, como juiz da Lava-Jato me sentia no dever de ajudar. Havia pelo menos uma chance de dar certo e eu não podia me omitir: aceitei o convite e ingressei no governo. O meu objetivo era melhorar a vida das pessoas por meio de um trabalho técnico, principalmente, reduzindo a corrupção e outros crime.

Moro disse que deixou o governo porque foi boicotado. Na época, o ex-ministro alegou que Bolsonaro tentava interferir na Polícia Federal — o que fez com que um inquérito contra o presidente fosse aberto.

— O meu desejo era continuar atuando, como ministro, em favor dos brasileiros. Infelizmente, não pude prosseguir no governo. Quando aceitei o cargo, não o fiz por poder ou prestígio. Eu acreditava em uma missão. Queria combater a corrupção, mas, para isso, eu precisava do apoio do governo e esse apoio me foi negado. Quando vi meu trabalho boicotado e quando foi quebrada a promessa de que o governo combateria a corrupção, sem proteger quem quer que seja, continuar como ministro seria apenas uma farsa. Nunca renunciarei aos meus princípios e ao compromisso com o povo brasileiro. Nenhum cargo vale a sua alma.

Corrupção

O ex-ministro disse também que é uma “mentira” que acabou a corrupção no país  — o que é repetido por Bolsonaro frequentemente. Para ele, o país está no rumo errado.

— Os avanços no combate à corrupção perderam a força. Foram aprovadas medidas que dificultam o trabalho da polícia, de juízes e de procuradores. É um engano dizer que acabou a corrupção quando na verdade enfraqueceram as ferramentas para combatê-la — disse.

Moro disse que esperava que o sistema político corrigisse após a Lava-Jato. Mas que, com a continuidade da corrupção, após um ano morando fora, resolveu entrar na política.

— Não podia ficar quieto, sem falar o que penso, sem pelo menos tentar mais uma vez, com você, ajudar o país. Então resolvi fazer do jeito que me restava: entrando para a política, corrigindo isso de dentro para fora — falou.

O ex-ministro completou afirmando não ter “um projeto só para si mesmo” e justificou a escolha do Podemos por ser um partido ligado à pauta anticorrupção:

— Para isso, resolvi entrar na vida política e filiar-me ao Podemos, um partido que apoia as pautas da Lava-Jato. Mas esse não é o projeto somente de um partido, é um projeto de país aberto para adesão por todos os demais partidos, pela sociedade brasileira, do empresário ao trabalhador, por todo cidadão e cidadã brasileiros. É o seu projeto, que estava aí, aguardando o momento certo. Chegou a hora.

Fonte:oglobo.globo.com

Foto: Roque de Sá/Agência Senado 19/11/2019