Quatro meses após prisão preventiva, médico suspeito de matar colega de profissão na BA passa por audiência

Quatro meses após prisão preventiva, médico suspeito de matar colega de profissão na BA passa por audiência

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Andrade Lopes Santana, também médico, foi morto aos 32 anos, por Geraldo Junior. Corpo da vítima foi encontrado no Rio Jacuípe, em São Gonçalo dos Campos, preso a uma âncora em maio deste ano.

Quatro meses após ter prisão preventiva decretada, o médico Geraldo Freitas Junior, investigado por matar o colega de profissão Andrade Lopes Santana, passa por audiência de instrução nesta sexta-feira (26). A sessão acontece na cidade de Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador.

A audiência, que começou por volta das 9h, pode definir se Geraldo vai ou não a júri popular. Testemunhas e o investigado têm sido ouvidos desde então. Ainda não há previsão de quando a sessão, que é realizada a portas fechadas, vai ser encerrada. Antes de ser preso, o investigado registrou o desaparecimento da vítima na delegacia.

O médico Andrade Lopes Santana, de 32 anos, era natural do Acre, mas morava e trabalhava na cidade de Araci, no interior da Bahia. Ele desapareceu no dia 24 de maio, quando saiu com destino a Feira de Santana, cidade a cerca de 105 km de Araci.

O corpo da vítima só foi encontrado quatro dias depois do desaparecimento, no Rio Jacuípe, que fica na cidade de São Gonçalo dos Campos, na mesma região. Andrade foi morto de costas, com um tiro na nuca. Uma âncora foi amarrada com uma corda no braço dele para que o corpo não emergisse das águas.

A motivação do crime ainda não foi definida, já que o investigado alegou em depoimento que não premeditou matar Andrade. Durante as investigações, a polícia informou que tem linhas de possíveis motivações, mas elas não foram reveladas para não atrapalhar o seguimento do caso.

Tiro foi acidental e não houve ‘premonição’

O médico Andrade Lopes Santana, está desaparecido desde o dia 24 de maio, quando saiu de casa em direção à cidade de Feira de Santana  — Foto: Reprodução/TV Subaé

O médico Andrade Lopes Santana, está desaparecido desde o dia 24 de maio, quando saiu de casa em direção à cidade de Feira de Santana — Foto: Reprodução/TV Subaé

A defesa de Geraldo Freitas informou ao g1, no mês de junho, que o médico investigado pelo crime teria dito que uma guia espiritual avisou que ele seria assassinado por dois colegas de profissão. O advogado revelou que a suposta guia em questão é a mãe do suspeito.

O advogado disse ainda que o cliente não tinha a intenção de matar. A polícia acredita que houve premeditação.

O delegado Roberto Leal, que investigou o caso, confirmou que a mulher teve um sonho meses antes do ocorrido e comentou com o filho, como um alerta, mas garantiu que isso não tem a ver com a morte de Andrade.

Investigações sobre CRM do suspeito

Preso suspeito de matar médico foi o amigo que registrou desaparecimento na delegacia — Foto: Aldo Matos / Acorda Cidade

Preso suspeito de matar médico foi o amigo que registrou desaparecimento na delegacia — Foto: Aldo Matos / Acorda Cidade

A Polícia Civil da Bahia também investiga se o médico Geraldo Freitas Junior usou o registro do Conselho Regional de Medicina (CRM) com nome de outra pessoa para atender pacientes na cidade de Santa Terezinha, a cerca de 210 km de Salvador.

“Todo médico estrangeiro recebe uma autorização do Ministério da Saúde apenas para trabalhar no serviço Mais Médicos. Ele poderia trabalhar apenas nessa situação. Contudo, já há informações juntadas aos autos, de que ele, usando o CRM de outro médico, exerceu funções na cidade de Santa Terezinha. Nós estamos aprofundando as investigações e inclusive vamos ouvir o médico titular do CRM, para que ele esclareça mais sobre essa situação do médico investigado”, explicou.

Suspeito estudou com vítima

Dormitília Lopes visitou o filho Andrade Santana, na Bahia, no final de 2019 — Foto: Arquivo da família

Dormitília Lopes visitou o filho Andrade Santana, na Bahia, no final de 2019 — Foto: Arquivo da família

Geraldo estudou medicina com Andrade, em uma faculdade na Bolívia. Concluído o curso, os dois se mudaram para o interior da Bahia, para trabalhar.

Antes de ser apontado como suspeito do crime, Geraldo Freitas recebeu os familiares de Andrade, que saíram do Acre para acompanhar as buscas pelo corpo.

O homem também foi o responsável por registrar o desaparecimento do amigo na delegacia de Feira de Santana.

Fonte:g1.globo.com/ ba

Foto: Aldo Matos / Acorda Cidade