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Crivella pede desculpas após culpar ‘grande parte da população’ do Rio por problemas causados pela chuva

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Em entrevista, o prefeito voltou a apelar para que moradores não coloquem lixo em áreas de encostas.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), pediu desculpas nesta terça-feira (3) por ter colocado na população a culpa das consequências da chuva que atingiu a cidade, deixando 5 mortos e dezenas de desalojados.

Na segunda-feira (2), ao visitar Realengo, um dos bairros mais afetados pelo temporal, o prefeito disse que o principal problema não era a chuva em si, mas a quantidade de lixo jogada pela população nos rios e encostas.

“Talvez eu tenha me expressado mal e quero até pedir desculpas. Mas realmente o apelo que eu faço é que a gente evite colocar lixo nas encostas”, disse o prefeito.

Um dia antes, no Centro de Operações, Crivella já havia dito que as pessoas gostam de morar perto de encostas “porque gastam menos tubo para colocar cocô e xixi e ficar livre daquilo“.

Três pessoas morreram na capital após o temporal do fim de semana. Outras duas pessoas morreram por causa da chuva em Queimados e Mesquita, municípios da Baixada Fluminense.

O prefeito se reuniu por mais de duas horas com seus secretários no Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR). Crivella anunciou que irá construir um reservatório no rio Piraquara para tentar impedir que enchentes como a que aconteceu no bairro do Barata, em Realengo, se repitam.

Crivella é atingido por barro atirado por morador em Realengo ao falar sobre as consequências da chuva no Rio — Foto: Reprodução/TV Globo
Crivella é atingido por barro atirado por morador em Realengo ao falar sobre as consequências da chuva no Rio — Foto: Reprodução/TV Globo

Crivella é atingido por barro atirado por morador em Realengo ao falar sobre as consequências da chuva no Rio — Foto: Reprodução/TV Globo

Também em Realengo, Crivella foi atingido por um pedaço de barro na cabeça pouco antes de falar com a imprensa. O prefeito, no entanto, não comentou o ocorrido e a entrevista prosseguiu.

Crivella também exemplificou o que pode acontecer com grande quantidade de lixo na água corrente, especialmente quando chegarem aos leitos mais sinuosos dos rios, chamados talvegues.

“As pessoas costumam construir suas casas, porque está perto do Rio para jogar os dejetos. Naquele momento em que as águas com lixo correm para os talvegues, derrubam as casas. Lá no Barata[área de Realengo], isso virou uma cachoeira, uma cachoeira forte”, disse.

Desapropriações

Durante a entrevista nesta terça, Crivella também disse que, depois da chuva, vai retomar conversas para desapropriar moradores que vivem em um trecho próximo do Rio Grande, em Jacarepaguá, na Zona Oeste.

“Nos já tínhamos obras de canalização. Mas nesse trecho onde houve desabamento de residências, nós tivemos problemas nas desapropriações. Hoje mesmo nossas equipes estarão indo ao local para retomar esse diálogo, para que sejam indenizados e buscar outra lugar para morar”, disse ele.

As desapropriações podem atingir as pessoas que moram em 200 casas na região.

“Há um risco de vida, e nos gostaríamos de empregar recursos, porque a partir do momento em que a gente faz essa desapropriações, nos vamos poder fazer a obra que ficou interrompida ali”, explicou.

Verbas remanejadas

Na semana que antecedeu a chuva que destruiu parte da Zona Oeste do Rio e deixou, no município, três mortos, o prefeito Marcelo Crivella remanejou verbas previstas para contenção de encostas e para drenagem. O carnaval foi um dos destinos do dinheiro — cerca de R$ 14 milhões.

Três decretos de Crivella com as movimentações orçamentárias foram publicados no Diário Oficial do Município de quinta (27) e sexta-feira (28).

Ao ser questionado sobre este assunto, o prefeito passou a palavra para o secretário de fazenda do município, César Barbiero, que disse que “o pessoal não sabe ler os decretos”.

“ O pessoal não sabe ler os decretos. Foi apenas uma troca de fonte, a origem. Tanto que hoje o prefeito hoje assinou um decreto remanejando de uma fonte para outra. O orçamento continua o mesmo“, argumentou Barbiero.

Fonte:g1.globo.com