Aumento do preço da soja e do milho preocupa criadores de aves na Bahia; produtos são usados na ração dos animais

Aumento do preço da soja e do milho preocupa criadores de aves na Bahia; produtos são usados na ração dos animais

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Soja e milho tiveram aumento de mais de 50% em 2021, em comparação com o ano passado.

Criadores de aves da Bahia relatam preocupação com aumento do preço da soja e do milho, principais produtos usados na alimentação dos animais. Márcio Maltez é dono de uma granja, no distrito de Maria Quitéria, zona rural de Feira de Santana, a 100 km de Salvador. Ele conta que a ração equivale a quase cerca de 80% dos custos com a produção.

No local, são criadas 600 galinhas, que dão uma média de 500 ovos caipira, por dia.

“Hoje, de 70% a 80% do custo é com ração. Uma ração de qualidade, um milho de qualidade, uma soja de galinha, fazem com que tenhamos galinhas de qualidade, imune a doenças e outras viroses”, conta.

Em janeiro de 2020, a saca de milho com 60 quilos custava R$50. Em maio deste ano, o preço subiu para R$110. A saca de soja, no mesmo período de 2020, custava R$ 95. Em maio de 2021, o custo da saca aumentou para R$ 180.

Sobre o aumento, o Ministério da Agricultura informou que suspendeu até 31 de dezembro deste ano a alíquota do imposto aplicado na importação do milho, soja, do óleo e do farelo de soja.

Outro produtor da zona rural de Feira de Santana, Rogério Alves conta que não tem como repassar o valor para o consumidor. No local são criadas 950 aves, e para alimentá-las, o produtor usa cerca de 100 quilos de ração por dia.

“Se a gente repassar para o consumidor, o produto não vai ser vendido. Muitos criadores estão descartando as aves, vendendo, essas são uma das soluções que os criadores estão encontrando”, conta.

Para o pesquisador da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Paulo Almeida, o aumento no preço da soja e do milho se dá por causa da alta do dólar e da queda da produção do milho em 2021.

“O dólar mais caro, com o real desvalorizado, o Brasil importa muitos insumos, como adubo defensivos, que são usados na produção agropecuária, sem contar os medicamentos. Tudo isso faz com que o custo de produção fique maior, aí aumenta os custos para o produtor”, explica o pesquisador.

A estimativa é que os preços da soja e milho se mantenham em alta nos próximos meses. Dono de uma loja que vende ração, o empresário Vilson Aragão relata que perdeu clientes, desde pequenos produtores até grandes empresários.

“Pelo que a gente estima, a gente perdeu em torno de 40% a 50% dos pequenos produtores. Os clientes maiores, com capacidade maior de matéria prima, em torno de 25% a 30% de redução de alojamento. Está sendo um impacto muito grande na cadeia produtiva”, disse.

Fonte:g1.globo.com

 Foto: Reprodução/TV Bahia