‘A política de segurança pública não está baseada na preservação da vida’, analisa coordenador da Rede de Observatórios; veja dados

‘A política de segurança pública não está baseada na preservação da vida’, analisa coordenador da Rede de Observatórios; veja dados

Compartilhe

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Nesta quinta-feira (22), Rede de Observatórios de Segurança divulgou um novo relatório sobre a violência na Bahia. Apesar da manutenção da letalidade, tanto policial quanto social, taxas monitoradas apresentaram quedas acentuadas.

“A nossa política de segurança pública não está baseada na lógica da preservação da vida, mas sim no confronto, no embate. Essa lógica é o que causa a altíssima letalidade entre pessoas criminalizadas e os policiais. É uma política que não funciona para nenhuma das pontas”.

A análise é do coordenador da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, co-fundador da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD) e historiador, Dudu Ribeiro.

Nesta quinta-feira (22), a Rede divulgou um novo relatório sobre a violência na Bahia e outros quatro estados monitorados pela organização: Ceará; Pernambuco; Rio de Janeiro e São Paulo.

De janeiro a maio de 2021, a Bahia registrou 572 ocorrências violentas, que vão desde mortes policiais, morte causadas por policiais, feminicídios, violência contra crianças e adolescentes, racismo, violência contra pessoas LGBTQIA+ e chacinas – o único crime que aumentou em relação ao ano passado.

Veja em detalhes:

Eventos monitorados

Tipo do eventoJaneiro a maio de 2021janeiro a maio 2021 x 2020
Policiamento295– 47,4%
Evento envolvendo arma de fogo81– 61,6%
Feminicídio e violência contra a mulher61– 59,9%
Manifestação, greve e protesto22– 48,8%
Violência contra crianças e adolescentes36– 41%
Vitimização de agentes do Estado29– 35,6%
Violências, abusos e excessos por parte de agentes do Estado19– 38,7%
Sistemas penitenciário e socioeducativo11– 69,4%
Saques em estabelecimentos comerciais ou outros (Coronavírus)0– 100%
Chacina11+ 37,5%
Violência contra LGBTQIA+1– 80%
Racismo e injúria racial3– 50%
Linchamento ou tentativa de linchamento3– 76,9%
Ações e ataques de grupos criminais0– 100%
Corrupção policial0
Intolerância religiosa0
Total de registro572– 51,7%
Fonte: Rede de Observatório de Segurança

Apesar da manutenção da letalidade, tanto policial quanto social, as taxas monitoradas pela Rede de Observatório de Segurança apresentaram quedas acentuadas na Bahia. Os enfrentamentos envolvendo armas de fogo são um exemplo desses casos: diminuíram 61,6% em comparação com 2020.

A redução desses percentuais se devem a dois fatores complementares. O primeiro deles é a deficiência na divulgação de dados oficiais, que acaba levando ao segundo fator: a queda no registro dos casos pela mídia – uma das principais fontes do Observatório.

“A gente tem quedas variadas em dados de um ano para o outro, mas é difícil analisar se são efeitos de políticas públicas porque é um período curto para monitorar oscilações dos números”, pondera Dudu.

O Monitor da Violência, um levantamento exclusivo feito pelo G1 em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, identificou um crescimento de 47% no índice de pessoas mortas por policiais no último ano, em comparação com 2019, na Bahia.

Os dados saltaram de 773 vidas interrompidas por interferência policial, para 1.137, em 2020. Nesse cabo de guerra justificado pela “política antidrogas”, os dois lados saem prejudicados.

Fonte:g1.globo.com

Foto: Alberto Maraux – SSP-BA